quarta-feira, 19 de junho de 2013

Por que enterramos os talentos?

Posted by elbatis On 13:02

Por qual razão muitos hoje estão na igreja e não conseguem mais brilhar como Deus quer?

“Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor” (Mat.25:18)  
         A parábola dos talentos contada pelo Senhor Jesus é uma das mais lindas ilustrações acerca de princípios do reino de Deus, em relação ao serviço que prestamos a Ele, antes de sua volta. Fala de oportunidades, privilégios e mordomia em relação a sua obra.
         Jesus se auto-representa na parábola como um dono de terras que tem que se ausentar e confia a serviçais o trabalho em sua propriedade. Note que o trabalho é feito sem nenhuma fiscalização do patrão. Somente no final é que haverá o acerto de contas. A eles caberia trabalhar com toda a liberdade: “...Negociai até que eu venha” (Luc.19:13).
         Isso fala da liberdade que cada um de nós temos para trabalhar aqui. Aparentemente não há uma fiscalização. Cada um de nós faz do jeito que entendemos que deve ser feito.
Reino de Deus ou Reino dos Homens – Ouvi dias desses de um obreiro frustrado com a conduta de homens desleais na obra de Deus, que infelizmente tudo na igreja não passa de reino humano, pois mesmo o Senhor vendo tantas coisas erradas acontecendo, ele permite e não intervém. Eu disse a ele que a obra é de Deus, independente dos homens que estão à frente, mas o acerto de contas de nossa mordomia e trabalho, será mais à frente. Por enquanto, continua esse “vale tudo” inescrupuloso de pessoas que tem visão de trono e não de reino.
       Enfocando o Menor
                   Jesus fala de três servos que receberam os talentos, segundo sua capacidade pessoal. Eram pessoas que certamente tinham a confiança irrestrita do seu senhor. Um recebeu cinco, outro dois e outro um, com toda a liberdade de usa-los como quisessem.
         O que recebeu cinco, não titubeou, e saiu em busca de um retorno à confiança de seu senhor, da mesma forma fazendo o que recebeu dois. Mas o enfoque maior fica para o primeiro, e Jesus fez questão de destaca-lo negativamente:“Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor” (Mat.25:18).
         O erro maior foi aquele trabalhador ter recebido os bens do seu senhor e negligenciado. Quantos jornaleiros não gostariam de estar no lugar daquele homem, mas o privilégio foi dado e ele, e por isso, seu senhor não conseguiu entender o seu desdém para com o talento recebido, pouco na verdade, mas era sua capacidade para aquilo (Mat.25:15).
         Tentaremos nos colocar no lugar daquele homem, e analisar o por que, e por quais razões ele perdeu a oportunidade de ser um legítimo representante dos bens do empresário, que, diga-se de passagem, deixou aos cuidados dos trabalhadores suas terras, partindo para bem longe e demorando-se a voltar: “E muito tempo depois, veio o Senhor daqueles servos e ajustou contas com eles”(Mat.25:19). Tenhamos cuidado como cuidaremos das coisas do Senhor Jesus na sua ausência, ainda que a priori, pareça que Ele está demorando a voltar (Hab.2:3, Mat.25:5, Luc.12:45).
         Mas por que ele enterrou o talento recebido? Eis algumas razões:
         1)Não valorizou o que recebeu
Subestimou o talento recebido. Os recursos eram poucos e por isso julgou ele, desnecessário seu uso. Quem menos tem, passa por um processo de autocomiseração. Acham-se diminuídos e fragilizados ante a força do sistema, e por isso, se julgam sem nenhum valor perante os mais graduados em dons e talentos.
         Talentos e dons são para serem usados independente de quantidade, pelo contrário, ainda que pouco, temos que empregar maior qualidade possível em seu uso.
         Temos a tendência sempre de subestimarmos nossos poucos e parcos recursos por entender que quem tem mais, possui obrigações maiores. Mas o princípio divino do serviço do Reino revela-nos que nossas obrigações são iguais, independente de quanto temos ou fazemos.
  2) Não achou lugar para usa-los
       Na justificativa que ele deu ao seu senhor, no acerto de contas, isso fica bem claro: “...Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste”(Mat.25:24). Veja que ele enterrou o talento quem sabe na estranha esperança que ele germinasse, brotasse e enfim frutificasse, e quando viesse o senhor das terras ele teria algo em contrapartida. Errou feio, pois dons e talentos não nascem de semeaduras, pelo contrário, recebe-se das mãos de Deus (Tg.1:17) e tem que ser desenvolvidos por nós mesmos. Depende 100% de cada um de nós.
         Na resposta dada pelo dono da terra ficou claro que ele não aceitou o enterro do talento: “...devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros, e , quando viesse, receberia o que é meu com os juros”  (Mat.25:27). O senhor estava dizendo que talentos semeados não nascem da terra, mas podem ser acrescidos nas mãos de banqueiros. Banqueiros aqui simbolizam obreiros que sabem dar chances a quem tem talentos, pelo menos os juros chegarão as mãos do Senhor.
         No afã de achar um uso para o bem recebido, quem sabe o homem disse consigo mesmo: “Vou enterra-lo. Quem sabe ele nasce”. Errou, pois o talento não nasceu e nada tinha a ser colhido do talento escondido. O que ele queria dizer com o enterro do talento, é que não havia um lugar plausível para usa-lo.
         Este é o problema maior de muita gente hoje, esquecem-se que o Senhor Jesus dá a todos nós, seus preciosos dons e talentos, para um uso útil: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil”(I Cor.12:7).
         Ama, não inutilize seus (ou seu) talentos. Encontre lugar para usa-lo onde quer que seja. Não o enterre alegando falta de oportunidade, pois em algum lugar no reino, haverá uma utilidade a altura do seu talento, a você compete apenas achar esse lugar. Ore a Deus, Ele irá revelar a você, o que o Senhor não quer e no seu retorno encontrar seus dons e talentos enterrados e sem uso. Cuidado, pois não encontrarás uma desculpa razoável diante Dele. Isso pode comprometer até mesmo sua salvação (Mat.25:30)
         Ps: Se tiver que mudar de igreja para ser útil ao Reino, ore a Deus e não pense duas vezes, pois não estarás pecando. Pecando estarás se continuar inútil ao Reino.
       3) Tinha visão errada do seu senhor e se relacionava mal com ele
            “...Conhecia-te que és um homem duro...”. Que pensamento mais tolo. O pobre mordomo imaginava seu senhor como um tirano, um déspota insensível que só pensava em castiga-lo se falhasse. Se o empresário fosse assim tão frio e insensível como imaginava seu funcionário não teria deixado eles à vontade com seus bens a mercê dos mordomos.
         Infelizmente, hoje no Reino de Deus, muitos estão parados em relação a talentos e dons exatamente por não conhecer seu Senhor na intimidade e por não se relacionar bem com Ele. Relacionam-se baseados no que ouvem por bocas alheias e naquilo que aprendem de terceiros e não por experiência pessoal.
         Amado de Deus é hora de buscarmos algo mais profundo com Deus, e assim, descobrir o que Ele quer de nós em relação a seu reino aqui na terra.
       4) Preferiu a Neutralidade
       Aquele homem pensou que enterrando o talento recebido, ficaria neutro e não precisaria nem se desculpar em relação a seu senhor. Ele entenderia sua preferência pela neutralidade e não cobraria dele o não uso do talento, afinal, era só um, e não faria falta a seu senhor. Mas neutralidade, "murismo", indecisão são coisas que estão fora do dicionário divino. Quem assim procede, mais cedo ou mais tarde irá atrair para si a ira do Senhor.

         Não tem nenhuma desculpa amado de Deus, para você deixar de usar os dons e talentos que Deus lhe deu. Afinal, alguma coisa você sabe fazer para Ele. Não importa o que. Procure seu lugar no Reino de Deus. 

Camo saber a vontade de Deus

Posted by elbatis On 12:51


Como Saber a Vontade de Deus
Leitura: Rm 12.1,2

Muitas vezes perguntamos: “Como saber a vontade de Deus?”. Às vezes é uma questão de relacionamentos (namorar com esse, ou não; casar com aquele, ou não). Outras vezes a dúvida é em relação a emprego, mudança de cidade, escolha de carreira, etc.
É sempre mais fácil saber o que outra pessoa realmente quer quando você a conhece bem. Se quiser dar um presente a uma pessoa, alguém que tem intimidade com ela saberá mais facilmente do que ela gosta! Certamente Deus irá revelar a Sua vontade a nós, mas, quanto mais O conhecermos, mais claramente entenderemos e ouviremos Sua vontade. Por isso, devemos buscar ao Senhor para saber Sua vontade. Alguns passos podem ajudar-nos nesta busca:

1. Orar, buscar a Deus (Tg 1.5,6).

Deus promete dar sabedoria e discernimento a todos que pedem e devemos pedir-lhe com fé. O salmista orava constantemente pedindo a direção de Deus (Sl 25.4,5; 27.11; 31.3; 139.24; 143.10). Quando deixamos de orar podemos agir de acordo com a aparência (que muitas vezes e enganosa) e tomarmos decisões erradas (Js 98-16; Pv 3.5).
Precisamos orar constantemente a Deus, para conhecê-Lo melhor. Quanto mais nós O conhecemos, melhor entenderemos a Sua vontade. Parte da maneira como Deus se revela para nós não é apenas através de respostas momentâneas, mas, através de um contato prolongado e profundo. Devemos procurar melhorar nosso relacionamento com Deus em oração e veremos que as respostas dEle às nossas dúvidas virão de forma cada vez mais tranqüila e natural. Deus se alegra quando oramos (Pv 15.8).
Devemos orar uns pelos outros, para que Deus nos guie à sua vontade (Cl 4.12).

2. Ler e estudar a Palavra de Deus (Rm 12.1-2)

A vontade geral de Deus está exaustivamente registrada nas escrituras: não mate, não adultere, não cobice, não seja idólatra, não minta, não roube, não se prostitua, etc.
Se queremos conhecer a Vontade de Deus será necessário conhecer a Deus. E só na Bíblia vamos saber como ele age, como Ele se revela e qual Sua vontade. A melhor orientação não é o nosso próprio conhecimento e nem a opinião das pessoas, mas a Palavra de Deus (Pv 16.25).
Quando temos a mente renovada pela palavra de Deus podemos tomar boas decisões, baseadas na orientação divina e não dos padrões mundanos. Devemos conhecer a Bíblia para discernirmos se:
a) Se o que estamos querendo está de acordo com a vontade revelada de Deus em Sua Palavra;
b) Se isto irá glorificar a Deus;
c) Se isto irá proporcionar crescimento espiritual.

3. Pedir a orientação do Espírito Santo (Sl 143.10)

O Cristão tem o Espírito Santo como guia. Ele pode não falar em meu ouvido, mas tocará em meu coração e operará em minha mente para me ajudar a conhecer a vontade de Deus. Ou simplesmente fortificará a minha vontade de fazer algo (Fl 2.13).
Devemos estar atentos à voz do Espírito, que nos guiará em circunstâncias adversas para que alcancemos a vontade do Pai (Rm 8.14). Esta orientação pode ser simplesmente nos dando paz sobre o que estamos querendo fazer (Cl 3.15).

4. Buscar conselhos de cristãos maduros (Pv 12.15; 15:14; 18:15; 20:18)

Roboão, um dos filhos de Salomão, um dos homens mais sábios da Bíblia, ao em vez de escutar os conselhos dos anciãos de Israel, escutou seus jovens amigos, e assim dividiu ao povo de Israel (1 Reis 12). É mais sábio procurar uma pessoa com experiência e bom exemplo na vida Cristã, que terá melhores condições de nos indicar qual seria a vontade de Deus.
Certa vez Jesus recomendou a seus discí¬pulos que ouvissem a igreja (Mt 18.17). Um amigo que enxergue a situação “de fora” ou um cristão experiente que já tenha vivido situações semelhantes podem aconselhar com sobriedade (2 Co 1.4).
Moisés ouviu o bom conselho de seu sogro e tomou uma decisão muito acertada (Ex 18.17).

5. Observar as portas abertas (At 16.6-7)

Deus quer nos mostrar o caminho. Só Ele pode nos mostrar a direção certa (Sl 25.4-5)
Se você quer seguir algum caminho ou alcançar algum objetivo, se isto for a vontade de Deus, as portas vão abrir. Se não for, você pode forçá-las, mas pode depois vir a se arrepender devido ao que encontrar do outro lado daquelas portas. Esteja sempre atento para a vontade de Deus e para as portas abrindo ou fechando de acordo com Sua vontade.

6. Estar disposto a obedecer a Deus

Se queremos saber a vontade, temos que estar dispostos a obedecê-la: Deus não irá nos forçar. Ele não tomará brutalmente o controle de nossa vida. Deus espera que nos ofereçamos voluntariamente (Sl 37.4,5). Como esperamos saber a vontade de Deus para nós se Ele já sabe que não iremos cumpri-la? Devemos orar como o Senhor Jesus: faça a Tua vontade (Lc 22.42).

Nem sempre Deus indica claramente a Sua vontade, mas Ele permite que façamos escolhas em relação a estas coisas. Se estivermos caminhando junto ao Senhor e verdadeiramente desejarmos a vontade dEle para nossa vida, Ele colocará Sua vontade em nosso coração.

Precisamos perguntar a nós mesmos:
Quero mesmo discernir a vontade de Deus, ou simplesmente quero que ele aprove a minha? Não podemos simplesmente dizer: “é a vontade de Deus porque é bom”, mas devemos dizer: “é bom porque é a vontade de Deus” (Sl 40.8). A vontade de Deus é sempre o melhor, embora às vezes não pareça (Jr 42.2-6).
Às vezes queremos simplesmente que Deus cumpra ou aprove nossos planos, mas Ele tem sempre algo mais excelente para nós (Jo 5.1-9).
Terei coragem de aceitar e fazer a vontade de Deus depois que a discernir? Muitas pessoas formulam inúmeras perguntas sobre a maneira de poderem descobrir a vontade de Deus e quando a descobrem dizem: “Isso não. Farei qualquer coisa, menos isso”.

Devemos aguardar discernir a vontade de Deus e o tempo certo de agir (Ec 8.5).


FERGUSON, Sinclair.
Descobrindo a Vontade de Deus. São Paulo: PES, 1998.
MCCLUNG, Floyd. Como Vou Saber o que Deus Quer para Minha Vida? Venda Nova: Betânia, 1998.

Carlos Kleber Maia

A Cruz e o Ego

Posted by elbatis On 12:36



O que é ser cristão?

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me (Mateus 16:24).

Antes de desenvolver o tema deste verso, comentemos os seus termos. “Se alguém”: o dever imposto é para todos os que desejam se unir aos seguidores de Cristo e alistar sob a Sua bandeira. “Se alguém quer”: o grego é muito enfático, significando não somente o consentimento da vontade, mas o pleno propósito de coração, uma resolução determinada. “Vir após mim”: como  um servo  sujeito ao seu Mestre, um  estudante  ao seu Professor, um soldado ao seu Capitão. “Negue”: o grego significa “negar totalmente”. Negar a si mesmo: sua natureza pecaminosa e corrompida. “E tome”: não passivamente sofra ou suporte, mas assuma voluntariamente, adote  ativamente. “Sua cruz: que é desprezada pelo mundo, odiada pela carne, mas que é a marca distintiva de um cristão verdadeiro. E siga-me”: viva como Cristo viveu — para a glória de Deus.

O contexto imediato é mais solene e impressionante. O Senhor Jesus tinha acabado de anunciar aos Seus apóstolos, pela primeira vez, a aproximação de Sua morte de humilhação (v. 21). Pedro se assustou, e disse, “Tem compaixão de Ti, Senhor” (v. 22). Isto expressou a política da mente carnal. O caminho do mundo é a procura para si mesmo e a defesa de si mesmo. “Tenha compaixão de ti” é a soma de sua filosofia. Mas a doutrina de Cristo não é “salva a ti mesmo, mas sacrifica a ti mesmo. Cristo discerniu no conselho de Pedro uma tentação de Satanás (v. 23), e imediatamente a rejeitou. Então, voltando-se para Pedro, disse: Não somente “deve”  o Cristo  subir  à  Jerusalém e morrer,  mas todo aquele que desejar ser  um  seguidor  dEle,  deve  tomar  sua  cruz  (v.  24).  O “deve” é tão imperativo num caso como no outro. Mediatoriamente, a cruz de Cristo permanece sozinha; mas experimentalmente, ela é compartilhada por todos que entram na vida.

O que é um “cristão”?  Alguém qu  sustenta  membresia em alguma  igreja  terrena?  Não.  Alguém que crê num credo ortodoxo? Não.  Alguém que  adota  um  certo  modo  de conduta? o. O que, então, é um cristão?  Ele é alguém que renunciou a si mesmo e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Colossenses 2:6). Ele é alguém que toma o jugo de Cristo sobre si e aprende dEle que é “manso e humilde de coração”. Ele é alguém que foi “chamado à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1Coríntios 1:9): comunhão em Sua obediência e sofrimento agora, em Sua recompensa e glória no futuro sem fim. Não tal coisa como pertencer a Cristo e viver para agradar a si mesmo. Não cometa engano neste ponto, “E qualquer que não tomar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27), disse Cristo. E novamente Ele declarou, “Mas aquele (ao invés de negar a si mesmo) que me negar diante dos homens (não “para” os homens: é conduta, o caminhar, que está aqui em vista), também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33).

A vida cristã começa com um ato de auto-renúncia, e é continuada pela auto-mortificação (Romanos 8:13).  A primeira pergunta de Saulo de Tarso, quando  Cristo  o  apreendeu,  foi,  “Senhor,  que  queres  que  eu  faça?”.  A vida cristã é comparada com uma “corrida”, e o corredor é chamado para “deixar todo embaraço e o pecado que tão de perto nos assedia” (Hebreus 12:1), cujo  “pecado”  é o amor por si mesmo, o desejo  e a determinação  de ter o nosso  “próprio caminho” (Isaías 53:6). O grande alvo, fim e tarefa posta diante do Cristão é seguir a Cristo seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pedro 2:21), e Ele não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3). E dificuldades no caminho, obstáculos na estrada, dos quais o principal é o ego. Portanto, este deve ser “negado”. Este é o primeiro passo para se “seguir” a Cristo.

O que significa para um homem negar a si mesmo” totalmente? Primeiro, isto significa a completa repudiação de sua própria bondade. Significa cessar de descansar sobre quaisquer obras nossas, para nos recomendar a Deus. Significa uma aceitação sem reservas do veredicto de Deus que “todas as nossas justiças [nossas melhores performances], são como trapo da imundícia” (Isaías 64:6). Foi neste ponto que Israel falhou: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). Agora, contraste com a declaração de Paulo: E seja achado nEle, não tendo justiça própria” (Filipenses 3:9).

Para um homem “negar a si mesmo totalmente, deverá renunciar completamente sua própria sabedoria. Ninguém pode entrar no reino dos céus, a menos que tenha se tornado “como criança” (Mateus 18:3).  “Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Isaías 5:21). “Dizendo-se bios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:22).  Quando o Espírito Santo aplica o Evangelho em poder numa alma, é para “destruir os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Um modo sábio para o todo cristão adotar é “não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5).

Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria força. É “não confiar na carne” (Filipenses 3:3). É o coração se curvando à declaração positiva de Cristo: “Sem mim, nada podeis fazer”  (João 15:5).  Este é o ponto no qual Pedro falhou: (Mateus 26:33). “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda (Provérbios 16:18).  Quão necessário é, então, que prestemos atenção à 1 Coríntios  10:12:  “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”! O segredo da força espiritual reside em reconhecer nossa fraqueza pessoal: (veja Isaías 40:29; 2 Crônicas 12:9). Então, “fortifiquemo-nos na graça que em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1).

Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria vontade. A linguagem do não-salvo é, Não queremos que este Homem reine sobre nós” (Lucas 19:14). A atitude do cristão é, Para mim, o viver é Cristo” (Filipenses 1:21) honrá-Lo, agradá-Lo, servi-Lo. Renunciar sua própria vontade significa atender à exortação de Filipenses 2:5, “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, o qual é definido nos versos que imediatamente seguem como de abnegação. É o reconhecimento prático de que “não sois de vós mesmos, porque fostes comprados por bom preço” (1 Coríntios 6:19,20). É dizer com Cristo, “Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).

Para um homem “negar a si mesmo totalmente, deverá renunciar completamente suas luxúrias ou desejos carnais. “O ego do homem é um feixe de ídolos” (Thomas Manton, Puritano), e estes ídolos devem ser repudiados. Os não-cristãos são  “amantes  de si mesmos (2 Timóteo 3:1);  mas aquele que foi regenerado pelo  Espírito  diz com Jó, “Eis que sou vil” (40:4), “Eu me abomino” (42:6). Dos não-cristãos está escrito, “todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Filipenses 2:21); mas dos santos de Deus está registrado,“eles não amaram a sua vida até à morte” (Apocalipse 12:11). A graça de Deus está “ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século bria, justa e piamente” (Tito 2:12).

Esta negação do ego que Cristo requer de todos os Seus seguidores deve ser universal.  Não nenhuma reserva, nenhuma exceção feita: “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências (Romanos 13:14). Deve ser constante, não ocasional: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga- me” (Lucas 9:23).  Deve ser espontânea, não forçada, realizada com satisfação, não relutantemente:  Tudo  quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23). Ó, quão impiamente o padrão que Deus colocou diante de nós tem sido rebaixado! Como isso condena a vida acomodada, agradável à carne e mundana de tantos que professam (mas, de maneira vã) que eles são “cristãos”!


“E tome a sua cruz”. Isto se refere não à cruz como um objeto de fé, mas como uma experiência na alma. Os benefícios legais do Calvário são recebidos através do crer, quando a culpa do pecado é cancelada, mas as virtudes experimentais da Cruz de Cristo são somente desfrutadas à medida que  somos,  de  um  modo  prático,  “conformados  com  a  Sua morte” (Filipeneses 3:10). É somente à medida que realmente aplicamos a cruz às nossas vidas diárias, regulamos nossa conduta pelos seus princípios, que ela se torna eficaz sobre o poder do pecado que habita em nós.  Não pode haver ressurreição onde não morte, e não pode haver andar prático “em novidade de vida até que carreguemos no corpo o morrer do Senhor Jesus” (2 Coríntios 4:10). A “cruz” é o sinal, a evidência, do discipulado cristão. É sua “cruz”, e não o seu credo, que distingue um verdadeiro seguidor de Cristo do mundano religioso.

Agora, no Novo Testamento a “cruz tem o significado de realidades definidas. Primeiro, ela expressa o ódio do mundo. O Filho de Deus veio aqui não para julgar, mas par salvar; não para punir, mas para redimir. Ele veio aqui “cheio de graça e verdade”. Ele sempre esteve à disposição dos outros: ministrando aos necessitados, alimentando os famintos, curando os enfermos, libertando os possessos pelo demônio, ressuscitando os mortos. Ele era cheio de compaixão: gentil como um cordeiro; inteiramente sem pecado. Ele trouxe com Ele felizes notícias de grande alegria. Ele procurou os perdidos, pregou aos pobres, todavia, não desdenhou dos ricos; Ele perdoou pecadores. E, como Ele foi recebido? Que tipo de recepção os homens Lhe deram?  Eles O “desprezaram e rejeitaram” (Isaías 53:3).  Ele declarou, “Eles Me  odeiam  sem  uma causa (João 15:25). Eles tiveram sede de Seu sangue. Nenhuma morte ordinária os apaziguaria. Eles demandaram que Ele deveria ser crucificado. A Cruz, então, foi a manifestação do ódio inveterado do mundo pelo Cristo de Deus.

O mundo não mudou, não mais do que o etíope pode mudar sua pele ou o leopardo suas manchas. O mundo e Cristo ainda estão em aberto antagonismo. Por conseguinte, está escrito: “Aquele,  pois,  que  quiser  ser  amigo  do  mundo constitui-se inimigo  de Deus (Tiago 4:4).  É impossível andar com Cristo e comungar com Ele, até que tenhamos nos separado do mundo. Andar com Cristo necessariamente envolve compartilhar Sua humilhação: “Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hebreus 13:13). Isto foi o que Moisés fez (veja Hebreus 11:24-26). Quanto mais próximo eu andar de Cristo, mais eu serei mal-entendido (1 João 3:2), ridicularizado (Jó 12:4) e detestado pelo mundo (João 15:19). Não cometa engano aqui: é extremamente impossível continuar com o mundo e ter comunhão com o Santo Cristo. Portanto, “tomar minha “cruz significa, que eu deliberadamente convido a inimizade do mundo através da minha recusa em ser “conformado” a ele (Romanos  12:2).  Mas, o que importa o olhar carrancudo do  mundo,  se  estou desfrutando os sorrisos do Salvador?

Tomar minha “cruz” significa uma vida voluntariamente rendida a Deus. Como o ato dos homens ímpios, a morte de Cristo foi um assassinato; mas como o ato do próprio Cristo, foi um sacrifício voluntário, oferecendo a Si mesmo a Deus. Foi também um ato de obediência a Deus. Em João 10:18 Ele disse, “Ninguém a [Sua vida] tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”. E por que Ele o fez? Suas próximas palavras nos dizem: “Este mandato recebi de meu Pai”. A cruz foi a suprema demonstração da obediência de Cristo. Nesta Ele foi o nosso Exemplo. Uma vez mais citamos Filipenses 2:5: “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. E nos versos seguintes nós vemos o Amado do Pai tomando a forma de um Servo, e  tornando-Se  “obediente  até  a morte,  e morte  de  cruz”. Agora, a obediência de Cristo deve ser a obediência do cristão voluntária, alegre, sem reservas, contínua. Se esta obediência envolve vergonha e sofrimento, acusação e perda, não  devemos  nos  acovardar,  mas  por  o nosso  rosto  “como  um seixo” (Isaías 50:7). A cruz é mais do que o objeto da do cristão, ela é o sinal de discipulado, o princípio pelo qual sua vida deve ser regulada. A “cruz” significa rendição e dedicação a Deus: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).

A “cruz significa serviço vicário e sofrimento. Cristo deu a Sua vida pelos outros, e Seus seguidores são chamados a estarem dispostos para fazerem o mesmo: “Devemos dar nossa  vida  pelos  irmãos (1  João  3:16).  Esta é a lógica inevitável do Calvário. Somos chamados para seguir o exemplo de Cristo, para a companhia de Seus sofrimentos, e para ser participantes em Seu serviço.  Assim como Cristo “a si mesmo se esvaziou (Filipenses 2:7), assim devemos fazer. Assim como Ele “veio para servir, e não para ser servido” (Mateus 20:28), assim  devemos ser. Assim como Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3), assim devemos fazer.  Assim como Ele lembrou dos outros, assim  devemos lembrar: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados” (Hebreus 13:3).
“Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 16:25). Palavras quase idênticas a estas são encontradas novamente em Mateus 10:39. Marcos 8:35, Lucas 9:24; 17:33,  João 12:25. Certamente, tal repetição mostra a profunda importância de notar e prestar atenção a este dito de Cristo. Ele morreu para que nós pudéssemos viver (João 12:24), e assim  devemos fazer (João 12:25). Como Paulo, devemos ser capazes de dizer “Em nada tenho a minha vida por preciosa” (Atos 20:24). A vida” que é vivida para a gratificação do ego neste mundo, está “perdida para eternidade; a vida que é sacrificada para os interesses próprios e rendida a Cristo, será “achada” novamente, e preservada durante toda a eternidade.


Um jovem universitário graduado, com prospectos brilhantes, respondeu ao chamado de Cristo para uma vida de serviço a Ele na Índia, entre a casta mais baixa dos nativos. Seus amigos exclamaram: “Que tragédia! Uma vida lançada fora! Sim, perdida”, até onde diz respeito a este mundo, mas achada novamente no mundo porvir!
  • Notícias do Blog

    Logo estaremos informando todas as nossas atividades aguardem!
  • Post Social